Nem tão infantil assim


 Olá, quanto tempo, não é? Tava viajando (de novo) e quando voltei fiquei completamente sem ideia do que escrever. Pedindo algumas sugestões, um amigo meu pediu pra que eu falasse de desenhos infantis que são até meio polêmicos, no sentido de tratarem de assuntos mais adultos. Eu escolhi cinco que considerei os mais importantes.

As Meninas Super Poderosas



 O menos recente da lista, mas que fez parte da infância de muita gente, independente do gênero da pessoa. Três garotinhas com super poderes, uma briguenta, uma mandona e a outra fofa até demais. Elas são garotas e acabam com os vilões de Townsville, só isso já é alguma coisa, não existem tantos desenhos por aí que o gênero feminino é o herói. Reclamem o quanto quiserem, mas isso é importante para as garotas, porque elas vêem que podem ir mais além. Para mim, elas foram o melhor exemplo de que eu posso ser tão forte e boa em qualquer coisa quanto um garoto. 


 Há diversos outros exemplos de igualdade de gênero nesse desenho. Por exemplo, quem não se lembra d'Ele? Quando eu era pequena, nunca entendia direito Ele, um homem com roupas de mulher? Sim, Ele se transvestia e isso é muito legal. Tem episódios que até o Professor usa roupas de mulher.


 Os papéis de gênero também são outra coisa tratada no desenho. Florzinha, Docinho e Lindinha não têm mãe, elas só têm um pai. Um pai que cuida da casa, faz jantar, limpa a casa e continua sendo super amoroso com suas filhas. É verdade que em um episódio ele se apaixona por uma mulher, que na verdade era a vilã Sedusa, e ela diz que "as garotas precisam de uma imagem feminina na casa". WTF? Se elas precisassem de uma "imagem feminina", Lindinha seria como? Ela é a mais próxima da ideia de "feminino" entre suas irmãs, parece até ser frágil, mas não é. Ela se mostra tão corajosa e durona quanto a Docinho um monte de vezes. 


 Fora as questões de gênero, há um episódio da série que foi banido nos Estados Unidos. Por quê? Porque, segundo eles, See me, feel me, Gnomey faz apologia ao comunismo. Eu me lembro desse episódio como um que me dava angústia. As Meninas estão fracas e dão seus poderes a um gnomo que faz a ordem prevaler na cidade, mas enquanto todos estão em paz, a liberdade de expressão é tirada e tudo se padroniza. Ou seja, passam a viver uma ditadura. O episódio também é um musical, então as músicas misturadas com as cenas dá um efeito maior ainda pra história. 

Hora de Aventura



 Muito popular em diversas idades, não só por ser engraçado, mas ter muita coisa por trás. Pessoalmente, não acho muito engraçado, mas gosto da história. A primeira coisa que noto é o Jake, o cachorro melhor amigo do Finn. Ele namora a Lady Íris (algo parecido com um unicórnio que só fala coreano) e certa vez ela conta a Jake que está grávida. O que fazer? Jake se compromete e se torna o primeiro da história personagem a ser pai sem estar casado. Ele ama muito os filhos e continua seu namoro com Lady Íris, sem a necessidade de se casarem.


 Agora quanto ao personagem principal, Finn, que começa a série com 11 anos e a cada temporada ganha mais um ano de idade, o desenho mostra o amadurecimento sexual dele. Sim, mostra sim. Ele é apaixonado pela Princesa Jujuba, mas vê a idade entre eles (ele pensa que ela tem 18 anos) como uma barreira. Enfrenta a dor de uma rejeição e parte pra outra, apaixona-se pela Princesa de Fogo. Mas por ela ser feita de fogo, o contato físico entre os dois é praticamente impossível. Em um episódio, ele assiste ela lutando contra alguns vilões e fica excitado. Dá pra perceber que ele gostou muito daquilo, até sonha com isso e obriga a namorada a fazer de novo pelo seu prazer, o que resulta no fim do namoro. Há sexo nesse desenho, embora implícito. Depois de ter o coração quebrado, Finn entra em depressão e se torna um cafajeste. Fica com várias princesas em festa, sem se interessar por elas, com o objetivo de esquecer sua depressão. 


 E por último e também meu assunto preferido: homossexualismo. Diversos episódios deixam implícito que Marceline, a rainha dos vampiros, e a Princesa Jujuba, do Reino Doce, já tiveram algo juntas no passado. Jujuba mostra, certa vez, que seu objeto mais precioso é uma camiseta que Marceline lhe deu. Elas brigam o tempo todo no desenho, mesmo que fosse uma amizade muito forte, Jujuba não iria guardar se tivessem sido apenas amigas. Mas para confirmar tudo mesmo, a dubladora da Marceline, Olivia Olsen, declarou que elas já foram mesmo um casal (leia aqui).

O Incrível Mundo de Gumball



 Um dos desenhos da Nova Cartoon que eu mais amo. É bizarro, nonsense, engraçado e com uma certa crítica. Para começar, Gumball e sua mãe são gatos, o pai e a filha são coelhos, e o outro filho é um peixe adotado. Para mim isso é uma mensagem de que família independe de laços sanguíneos. A mãe, Nicole, trabalha e ainda faz tudo na casa, é uma mãe super dedicada. Quanto ao pai, Ricardo, é o extremo da preguiça. Vive usando algo que parece ser roupa de trabalho, mas vive no sofá vendo televisão e comendo porcaria.

Gumball de garota realmente muda muito
 Há também um episódio que Gumball se veste de garota e todos passam a mimá-lo, pois acham que ele/a é muito bonito/a. Gumball engana a todos, até seu irmão, Darwin, que se apaixona por ele/a. A única que não cai nessa é a sua irmã, Anais, ela é como a Liza Simpson da família: mais nova e mais inteligente que todos. Ou seja, ela que faz críticas em todo mundo. Nesse episódio, mostra o quanto a beleza física muda o jeito que os outros te tratam e como o gênero interfere nisso.

SheZow



 Acho que uns dois anos atrás, uma página de desenhos animados no Facebook falou dessa série. Criticaram e xingaram muito, mas muito mesmo. Mas por quê? Porque eram babacas. Fui ler sobre esse tal de SheZow e a ideia é genial. Mas é tão polemica que a página foi excluída do Facebook de tanto xingarem quem era a favor do desenho.


 SheZow é sobre um garoto chamado Guy Hamdon, 12 anos, que encontra um anel mágico da sua tia falecida e decide experimentar por brincadeira. Guy não só ganha super poderes com o anel, como também sua roupa de super herói é de mulher, já que o anel foi feito para uma menina usar. Então ele é um garoto que se veste de garota pra combater o crime. Pessoalmente, acho isso lindo.


 A série é australiana e foi criada em 2012, mas adivinhem só: esse ano, 2015, ela será lançada no Brasil! Não sei por qual canal, mas chuto Cartoon Network, whatever, to ansiosa para ver. 


 É claro que o motivo da polêmica que deu naquela página é meio óbvio. Muitos menininhos ficaram revoltados de ser sobre um garoto que se veste de garota para combater o crime, afinal garotas são "frágeis", não é? Somos frágeis o caralho. Além de mostrar que os gêneros são iguais, trata também da identidade de gênero na infância, um conflito que perturba muitas crianças. 

KND - A Turma do Bairro



 Não dá pra assistir esse desenho e não gostar. Além de que todas as crianças são agentes secretos incríveis, também mostra o desrespeito que elas levam pelos adultos e adolescentes. É uma luta entre as idades eternas e que realmente não faz sentido, mas acontece. KND é a personificação daquela raiva que criança sente ao ouvir "você é uma criança, não pode fazer isso" ou algo parecido. Pega também todo amor e ódio infantis, desde sorvete até ir no dentista (que por acaso é um vilão da história). Mas tem um episódio em especial que eu amo e é pra se pensar.


 O episódio F.U.T.U.R.E (não sei como é no Brasil, só achei no original) é sobre uma garota que sofre pelos irmãos mais velhos e decide criar uma arma para transformar todos em meninas. Na história, o número 4 vai para o futuro e encontra um mundo praticamente inexistente de garotos. Pra quem se perguntar como se reproduziam, acredito que como nisso aqui. Enquanto o mundo é dominado pelas meninas, há uma resistência de garotos (todos novinhos, é sem sentido, mas ok) que pretendem trazer um mundo em que todos os gêneros brinquem juntos. Ou seja, é uma paródia do machismo extremamente exagerada. 


 Eu também adoro a número 3. Ela aparenta ser fofa e chorona como a Lindinha, das Meninas Superpoderosas, mas quando precisa, é bem durona e mete medo em todo mundo. Provando que dá pra ser feminina e durona ao mesmo tempo. Sem falar na número 5, a única negra no grupo principal que também é badass bitch


 Enfim, é claro que tem outros desenhos que também fazem isso, até a famosa Peppa Pig já tratou do assunto de papéis de gênero. Mas esses cinco foram os que eu quis e ponto. Qualquer coisa, faço uma continuação desse post. Espero que tenham gostado.

3 comentários:

  1. Entre todos esses, eu assisti apenas As Meninas Super Poderosas, que até hoje está no topo dos meus favoritos. Mas também irei dar uma olhada nos outros. Uma continuação deste post seria maravilhoso!

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